sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Lojas "tem-de-tudo"
Uma coisa que sempre me impressiona são essas lojinhas perto de nossas casas que têm de tudo. Quando eu falo “tem de tudo”, parece até modo de dizer, mas não. Elas têm de tudo mesmo.
Você entra para comprar um simples guache para um trabalho de escola e sai de lá com uma coleção inteira de obras-de-arte. Entra para comprar um band-aid e sai já com um atestado médico. E por aí vai.
Geralmente, essas lojas são bastante antigas, e os atendentes (e proprietários) são idosos carrancudos envoltos em mistério. Ninguém sabe muito bem de onde vieram, ou como foram parar ali. Não deixa de ser um contraste bem bizarro eles terem essa cara de mau e venderem adesivos da Hello Kitty e canetas coloridas. É como se o Darth Vader colocasse uma avental e fosse vender doces, entende? Não combina.
Exageros à parte, às vezes acho que os donos dessas lojas são pessoas muito indecisas. Eles estavam em dúvida se abririam uma loja de ferragens, uma papelaria, uma loja de piscinas, uma loja de eletrodomésticos, uma firma de advocacia ou uma produtora de cinema. Acabaram abrindo uma que abrigasse todas as áreas, com produtos custando R$ 1,99. É tanta coisa, que eu não me surpreenderia se o pessoal da NASA entrasse num desses lugares procurando material pra conserto de ônibus espacial, por exemplo.
É sempre bom ter essas lojas por perto, caso você precise comprar equipamentos de alpinismo, ou uma bandeira da Somália, ou uma asa-delta, ou uma bola de basquete, ou um bote inflável, ou um poodle. Se você for fazer alpinismo para erguer uma bandeira da Somália no topo da montanha, sair de lá numa asa-delta, pousar num bote inflável e jogar basquete com um poodle, não precisa se deslocar em várias lojas pra se preparar, basta ir num lugar só.
Você entra para comprar um simples guache para um trabalho de escola e sai de lá com uma coleção inteira de obras-de-arte. Entra para comprar um band-aid e sai já com um atestado médico. E por aí vai.
Geralmente, essas lojas são bastante antigas, e os atendentes (e proprietários) são idosos carrancudos envoltos em mistério. Ninguém sabe muito bem de onde vieram, ou como foram parar ali. Não deixa de ser um contraste bem bizarro eles terem essa cara de mau e venderem adesivos da Hello Kitty e canetas coloridas. É como se o Darth Vader colocasse uma avental e fosse vender doces, entende? Não combina.
Exageros à parte, às vezes acho que os donos dessas lojas são pessoas muito indecisas. Eles estavam em dúvida se abririam uma loja de ferragens, uma papelaria, uma loja de piscinas, uma loja de eletrodomésticos, uma firma de advocacia ou uma produtora de cinema. Acabaram abrindo uma que abrigasse todas as áreas, com produtos custando R$ 1,99. É tanta coisa, que eu não me surpreenderia se o pessoal da NASA entrasse num desses lugares procurando material pra conserto de ônibus espacial, por exemplo.
É sempre bom ter essas lojas por perto, caso você precise comprar equipamentos de alpinismo, ou uma bandeira da Somália, ou uma asa-delta, ou uma bola de basquete, ou um bote inflável, ou um poodle. Se você for fazer alpinismo para erguer uma bandeira da Somália no topo da montanha, sair de lá numa asa-delta, pousar num bote inflável e jogar basquete com um poodle, não precisa se deslocar em várias lojas pra se preparar, basta ir num lugar só.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pra todas as idades
Já repararam como músicos, apresentadores e artistas em geral adoram dizer que seu trabalho é pra “todas as idades”? Eu não entendo, pra que mentir?
Parece uma lei no mundo artístico: mesmo que você escreva óperas, nunca numa entrevista você vai poder dizer “Bem, um recado pras criancinhas: Fiquem longe dos meus palcos!”. Não. É obrigatório falar que elas adoram as apresentações, que elas são presença marcante, e que toda a equipe da TV Globinho, inclusive, está tendo aulas de canto clássico pra ver se atrai mais a audiência, tudo por causa da presença massiva de pequenos na sua ópera.
O oposto também acontece. Essas apresentadoras de programas infantis amam dizer que “Velhinhos param ela na rua para falar que assistem toda manhã! Não são fofos?”. Não! Não são fofos! É só uma fórmula matemática, acompanhem: bela loira + roupa apertada + voz manhosa = audiência de senhores de idade a qualquer hora do dia.
Talvez seja por isso que a Xuxa deixou bem claro nos seus dvd's: “Isso é SÓ PARA BAIXINHOS, cacete! “Todas as idades”, uma ova! Nada de mulheres quase peladas aqui, seus tarados. Aqui você só vai encontrar de Tchutchucão pra baixo. Sacou, coroa? E um aviso pro Romário e sujeitos de pequena estatura em geral: nem tentem! Baixinho aqui tem outro sentido!”
Parece uma lei no mundo artístico: mesmo que você escreva óperas, nunca numa entrevista você vai poder dizer “Bem, um recado pras criancinhas: Fiquem longe dos meus palcos!”. Não. É obrigatório falar que elas adoram as apresentações, que elas são presença marcante, e que toda a equipe da TV Globinho, inclusive, está tendo aulas de canto clássico pra ver se atrai mais a audiência, tudo por causa da presença massiva de pequenos na sua ópera.
O oposto também acontece. Essas apresentadoras de programas infantis amam dizer que “Velhinhos param ela na rua para falar que assistem toda manhã! Não são fofos?”. Não! Não são fofos! É só uma fórmula matemática, acompanhem: bela loira + roupa apertada + voz manhosa = audiência de senhores de idade a qualquer hora do dia.
Talvez seja por isso que a Xuxa deixou bem claro nos seus dvd's: “Isso é SÓ PARA BAIXINHOS, cacete! “Todas as idades”, uma ova! Nada de mulheres quase peladas aqui, seus tarados. Aqui você só vai encontrar de Tchutchucão pra baixo. Sacou, coroa? E um aviso pro Romário e sujeitos de pequena estatura em geral: nem tentem! Baixinho aqui tem outro sentido!”
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Loja de departamentos
Loja de departamentos é um negócio complicado... Eu só queria saber por que essas lojas têm tantas mentiras. Sim, essas lojas mentem sem dó nem piedade, e a gente, trouxa, nem percebe. Por exemplo, seção de DVD’s. Você olha e lê: “DVD’s organizados por ordem alfabética”. Bem... não. Não estão, não. Alguém avise ao moço da loja que aquilo ali está errado! Afinal, o que o “Ben Hur” está fazendo do ladinho do “Zorro”? Das duas, uma: ou eles tem muito poucos filmes, existindo um vazio imenso entre a letra B e a letra Z; ou a “ordem alfabética” foi pro beleléu faz tempo. Claro que a resposta certa é segunda opção, a não ser que estejamos falando daquela locadora caseira prestes a falir que fica perto da nossa casa.
Outra mentira é o tamanho das camisas. Aliás, comprar camisas em lojas de departamento é sinal de desespero, convenhamos. Geralmente se compra naquelas situações como: “Mãe, meus amigos podem rabiscar essa camisa na escola?”, “Não, menino! Essa é de sair! Vai naquela loja que a gente compra biscoito barato e traz quatro camisas!”, “Tá bom, mãe... Mas, peraí, dez reais? Não são quatro camisas?”, “Sim! E traz o troco!”. Essas camisas são feitas para bonecos e bonecas, porque o tamanho G deles equivale ao P que seres humanos normais vestem. Já a M e a P, bem... Melhor nem falar nada.
Eu também nunca entendi, nessas lojas, o fato de interromperem aquelas músicas irritantes pra falarem uns códigos mais irritantes ainda! “Atenção, Cê quatro, Jota dois, compareça ao Gê nove”. Eu sei que o “Cê quatro” deve ser alguém, e que o “Gê nove” deve ser algum lugar. Mas por que não falam o nome da pessoa e o lugar? É pra ser secreto? Será que o "Gê nove" também é uma pessoa? Aí sim existiria motivo para segredos! Com esses códigos, parece que eles estão jogando batalha naval. Dá a impressão de que, qualquer dia desses, vou ouvir pelas caixas de som: “Cê quatro, Gê nove” – volta música, interrompe de novo - “Acertou um porta aviões” – volta música.
Outra mentira é o tamanho das camisas. Aliás, comprar camisas em lojas de departamento é sinal de desespero, convenhamos. Geralmente se compra naquelas situações como: “Mãe, meus amigos podem rabiscar essa camisa na escola?”, “Não, menino! Essa é de sair! Vai naquela loja que a gente compra biscoito barato e traz quatro camisas!”, “Tá bom, mãe... Mas, peraí, dez reais? Não são quatro camisas?”, “Sim! E traz o troco!”. Essas camisas são feitas para bonecos e bonecas, porque o tamanho G deles equivale ao P que seres humanos normais vestem. Já a M e a P, bem... Melhor nem falar nada.
Eu também nunca entendi, nessas lojas, o fato de interromperem aquelas músicas irritantes pra falarem uns códigos mais irritantes ainda! “Atenção, Cê quatro, Jota dois, compareça ao Gê nove”. Eu sei que o “Cê quatro” deve ser alguém, e que o “Gê nove” deve ser algum lugar. Mas por que não falam o nome da pessoa e o lugar? É pra ser secreto? Será que o "Gê nove" também é uma pessoa? Aí sim existiria motivo para segredos! Com esses códigos, parece que eles estão jogando batalha naval. Dá a impressão de que, qualquer dia desses, vou ouvir pelas caixas de som: “Cê quatro, Gê nove” – volta música, interrompe de novo - “Acertou um porta aviões” – volta música.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Banho na casa dos outros
Tomar banho na casa dos outros é sempre um problema. A gente tenta evitar, mas às vezes não tem jeito.
Acontece que no seu banheiro você já sabe mais ou menos onde colocar suas coisas. Sabe onde colocar a toalha, onde jogar a roupa suja, onde deixar a roupa limpa até terminar o banho... Quando a gente entra no banheiro dos outros, não conseguimos achar UM lugar sequer para colocar nada nosso! Nada, por mais que o dono da casa veja mil lugares! A gente fica lá, perdido, segurando as roupas e pensando: “O que McGyver faria nessa hora?”. Daí, você acaba improvisando: coloca a calça em cima da pia (passando o braço pra ver se num tá muito molhada), a camisa em cima da descarga, e por aí vai. A roupa suja vai no chão mesmo.
Então, nos preparamos para entrar no box. Quando colocamos o primeiro pé nele, batidas na porta: “Ô, Fulano! Olha, não liga o chuveiro todo não, senão pega fogo! Só gira até o meio! E pra água esquentar tem que dar uma vassourada no interruptor, pulando em uma perna só!”. Macetes de chuveiro, todo mundo tem. Depois do ritual, conseguimos ligá-lo sem correr riscos.
Dentro do box, nos sentimos totalmente desconfortáveis. No nosso banheiro, a gente já tem um lugar correto onde ficar, sabemos o lugar exato onde a água vai cair. No dos outros, não! Ou a ducha é muito mais estreita, e faz você tomar banho aos poucos, exercitando o pescoço pra molhar a cabeça toda; ou é muito espalhada, te obrigando a dançar balé pra pegar os fios de água que teimam em não cair juntos, indo um pra cada lado e não molhando o indivíduo por completo.
Sabonete. Se a gente leva, tudo bem. Mas se não leva, cria-se um clima esquisito lá dentro. Você olha pro sabonete da pessoa, ele olha pra você, e você pensa: “É, amigo. Eu sei que não somos muito íntimos, mas preciso de você nessa hora. Estamos juntos nessa”. Daí você o pega e começa a esfregar pelo corpo. Você o esfrega com a sensação de que “algo está errado” naquilo tudo. É como se o sabonete fosse a mão de um tarado.
Depois do sabonete, a gente pega o xampu dos outros (o que não é tão constrangedor assim), coloca na mão, e percebe que ele está cheio de... água. O que leva uma pessoa a colocar água no xampu, afinal? Fica uma coisa meio melada, meio esquisita, sabe? “Ah, Fulano, é pra render”, usam essa desculpa. Sim, mas xampu não é ki-suco! Eles não entendem isso! Eu nunca vi escrito numa embalagem de xampu: FAZ 2 LITROS.
Terminamos o banho, nos enxugamos, catamos a roupa espalhada pelo banheiro, e olhamos para a roupa suja que deixamos no chão. Encaramos aquele amontoado de intimidade nossa, lembramos que não trouxemos um saco plástico e pensamos: “Puuutz... Como vou passar com isso pela casa dos outros?”. Daí, a gente embala a cueca (ou calcinha, no caso das mulheres) no meio das peças convencionais, de forma que não apareça nem mesmo uma brechinha. É como uma missão de espionagem: se deixarmos aparecer a cor da nossa cueca na casa dos outros, a missão falhou. É uma tarefa de alta periculosidade, pois o constrangimento poderá afetar a amizade pelo resto da vida! Saímos do banheiro com o amontoado de roupas embaixo do braço, segurando firme e andando sempre em frente, tentando agir com naturalidade (o que nunca dá certo, a tensão fica estampada na nossa cara), até chegarmos sãos e salvos à nossa mala/mochila/bolsa. Ufa!
Acontece que no seu banheiro você já sabe mais ou menos onde colocar suas coisas. Sabe onde colocar a toalha, onde jogar a roupa suja, onde deixar a roupa limpa até terminar o banho... Quando a gente entra no banheiro dos outros, não conseguimos achar UM lugar sequer para colocar nada nosso! Nada, por mais que o dono da casa veja mil lugares! A gente fica lá, perdido, segurando as roupas e pensando: “O que McGyver faria nessa hora?”. Daí, você acaba improvisando: coloca a calça em cima da pia (passando o braço pra ver se num tá muito molhada), a camisa em cima da descarga, e por aí vai. A roupa suja vai no chão mesmo.
Então, nos preparamos para entrar no box. Quando colocamos o primeiro pé nele, batidas na porta: “Ô, Fulano! Olha, não liga o chuveiro todo não, senão pega fogo! Só gira até o meio! E pra água esquentar tem que dar uma vassourada no interruptor, pulando em uma perna só!”. Macetes de chuveiro, todo mundo tem. Depois do ritual, conseguimos ligá-lo sem correr riscos.
Dentro do box, nos sentimos totalmente desconfortáveis. No nosso banheiro, a gente já tem um lugar correto onde ficar, sabemos o lugar exato onde a água vai cair. No dos outros, não! Ou a ducha é muito mais estreita, e faz você tomar banho aos poucos, exercitando o pescoço pra molhar a cabeça toda; ou é muito espalhada, te obrigando a dançar balé pra pegar os fios de água que teimam em não cair juntos, indo um pra cada lado e não molhando o indivíduo por completo.
Sabonete. Se a gente leva, tudo bem. Mas se não leva, cria-se um clima esquisito lá dentro. Você olha pro sabonete da pessoa, ele olha pra você, e você pensa: “É, amigo. Eu sei que não somos muito íntimos, mas preciso de você nessa hora. Estamos juntos nessa”. Daí você o pega e começa a esfregar pelo corpo. Você o esfrega com a sensação de que “algo está errado” naquilo tudo. É como se o sabonete fosse a mão de um tarado.
Depois do sabonete, a gente pega o xampu dos outros (o que não é tão constrangedor assim), coloca na mão, e percebe que ele está cheio de... água. O que leva uma pessoa a colocar água no xampu, afinal? Fica uma coisa meio melada, meio esquisita, sabe? “Ah, Fulano, é pra render”, usam essa desculpa. Sim, mas xampu não é ki-suco! Eles não entendem isso! Eu nunca vi escrito numa embalagem de xampu: FAZ 2 LITROS.
Terminamos o banho, nos enxugamos, catamos a roupa espalhada pelo banheiro, e olhamos para a roupa suja que deixamos no chão. Encaramos aquele amontoado de intimidade nossa, lembramos que não trouxemos um saco plástico e pensamos: “Puuutz... Como vou passar com isso pela casa dos outros?”. Daí, a gente embala a cueca (ou calcinha, no caso das mulheres) no meio das peças convencionais, de forma que não apareça nem mesmo uma brechinha. É como uma missão de espionagem: se deixarmos aparecer a cor da nossa cueca na casa dos outros, a missão falhou. É uma tarefa de alta periculosidade, pois o constrangimento poderá afetar a amizade pelo resto da vida! Saímos do banheiro com o amontoado de roupas embaixo do braço, segurando firme e andando sempre em frente, tentando agir com naturalidade (o que nunca dá certo, a tensão fica estampada na nossa cara), até chegarmos sãos e salvos à nossa mala/mochila/bolsa. Ufa!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Disk Galera
Tenho algumas indagações que não saem da minha cabeça: Alguém ainda liga pro “Disk Galera”? Por que esse negócio ainda não faliu? Por que ainda passa o comercial disso durante o Chaves? Será que isso existe mesmo?
Afinal, o mundo que eles mostram é tão perfeito, que nem dá pra acreditar. É igual Bambuluá, só que sem o “senhor do Mal”. Cheio de garotas boazudas, caras boa-pinta, não tem ninguém feio. Quer dizer então que, se eu ligar, só vou falar com beldades? E as mulheres, só vão encontrar galãs? E o que eles fazem com os feios? Bloqueiam os telefones? “Dá licença, senhor Batoré, eu vim aqui colocar um chip rapidinho no seu telefone, coisa rápida, viu. O senhor vai poder continuar ligando normalmente, exceto pro Disk Galera, tudo bem?”.
Já que é praticamente impossível fazer esse controle de qualidade, é bom eles colocarem um pouco de realidade no comercial... Um bom começo é chamar o mestre Tiririca pra ser garoto propaganda. “Ô, bestado, liga pra cá! Incrusivi você, gatinha, que quisé falá comigo, é só ligá pru número que aparecê na sua tela!”. E pros rapazes, contratem a lendária Filó. “Liga pra iêu! Vamu saí juntu? Não? Num sábi o qui cê vai perdê, meu fio... Oh, coitado!”.
O cúmulo do comercial é quando eles falam que nós podemos achar “aquele gato, ou aquela gata, que pode ser nossa pessoa especial”, e colocam imagem de casais belíssimos na banheira, ou num restaurante à luz de velas, ou jogando vôlei. Cara, vai que a pessoa liga, conhece alguém atraente, bate um bom papo, e na hora de marcar um encontro, marca um... vôlei??? O que tem a ver? Daqui a pouco vai ser o quê? Pescaria? “Eu lembro quando conheci a mãe de vocês, crianças... O mar estava agitado... A gente balançando ao som do mar, sua mãe enjoada... A sardinha se debatendo graciosamente no anzol, se recusando a subir no barco... Foi lindo...”
Afinal, o mundo que eles mostram é tão perfeito, que nem dá pra acreditar. É igual Bambuluá, só que sem o “senhor do Mal”. Cheio de garotas boazudas, caras boa-pinta, não tem ninguém feio. Quer dizer então que, se eu ligar, só vou falar com beldades? E as mulheres, só vão encontrar galãs? E o que eles fazem com os feios? Bloqueiam os telefones? “Dá licença, senhor Batoré, eu vim aqui colocar um chip rapidinho no seu telefone, coisa rápida, viu. O senhor vai poder continuar ligando normalmente, exceto pro Disk Galera, tudo bem?”.
Já que é praticamente impossível fazer esse controle de qualidade, é bom eles colocarem um pouco de realidade no comercial... Um bom começo é chamar o mestre Tiririca pra ser garoto propaganda. “Ô, bestado, liga pra cá! Incrusivi você, gatinha, que quisé falá comigo, é só ligá pru número que aparecê na sua tela!”. E pros rapazes, contratem a lendária Filó. “Liga pra iêu! Vamu saí juntu? Não? Num sábi o qui cê vai perdê, meu fio... Oh, coitado!”.
O cúmulo do comercial é quando eles falam que nós podemos achar “aquele gato, ou aquela gata, que pode ser nossa pessoa especial”, e colocam imagem de casais belíssimos na banheira, ou num restaurante à luz de velas, ou jogando vôlei. Cara, vai que a pessoa liga, conhece alguém atraente, bate um bom papo, e na hora de marcar um encontro, marca um... vôlei??? O que tem a ver? Daqui a pouco vai ser o quê? Pescaria? “Eu lembro quando conheci a mãe de vocês, crianças... O mar estava agitado... A gente balançando ao som do mar, sua mãe enjoada... A sardinha se debatendo graciosamente no anzol, se recusando a subir no barco... Foi lindo...”
domingo, 31 de agosto de 2008
Supermercado
Fazer compras em supermercado pode ser encarado de várias formas pelas pessoas. Uns acham que é uma terapia, outros acham que é um saco (ou vários, se for compra de mês), outros não acham nada – apenas vão e ficam hipnotizados pela luz branca, pegando tudo o que é colorido e bonitinho (como os bolinhos Ana Maria, por exemplo. A gente não precisa deles, mas a embalagem é tão colorida e a menina parece tão feliz que é quase impossível não levar um).
O “passeio” começa com a escolha do carrinho. Dizem que não somos nós que escolhemos o carrinho; é o carrinho que escolhe a gente. Afinal, assim que olhamos pra pilha onde eles estão, sabemos exatamente qual iremos pegar. É como se ele estivesse nos chamando. Se alguma pessoa chega nele primeiro, a gente fica meio desnorteado. Por fim, conseguimos um, e quando estamos entrando no mercado o digníssimo começa a puxar pra direita. Olhamos pra roda e reparamos que ela está tortinha, tortinha, fazendo um barulho engraçado, como se estivesse rindo da gente. Nessa hora, o dilema: “Continuo com ele mesmo assim ou volto até lá e troco? Acabei de sair de lá, caramba! Agora que já escolhi e cheguei até aqui não vou voltar, não. Por que ele não mostrou que estava ruim assim que pegamos?”. Então, a roda começa a emperrar, e você nota que é inviável continuar com ele.
Entrando no mercado, com um carrinho em perfeitas condições, a primeira coisa que ouvimos é a voz do locutor pelos alto-falantes: “Alô, cliente amigo dos supermercados Promoshow, que bom ter você conosco! Aqui em frente aos frios, temos os biscoitos Mofadinho em promoção, venha aproveitar!”. Aliás, já reparou que as vozes destes locutores são sempre iguais? Devem ser todos irmãos, vindo de uma mesma mãe (ou de uma mesma fábrica). Gordos, magros, altos, baixos, não importa. Todos têm a mesmíssima voz grave e irritante.
Outra coisa irritante em supermercado são as “promoções-relâmpago”. Se você estiver perto de um produto que vai entrar numa promoção destas, corra. Corra como o vento. Logo, logo, neste lugar, será travado um duelo de proporções medievais, pode acreditar. É impressionante, mesmo que estejam vendendo “biscoitos Mofadinho sabor Jiló”, o som de tapas, socos e empurrões será ouvido durante alguns minutos rápidos e intensos. É como uma arena de gladiadores, só que ao invés de sair com a cabeça do adversário, as pessoas saem segurando um pacote de Mofadinho como um troféu, com arranhões no braço e os olhos lacrimejados de orgulho.
Alguns supermercados vendem produtos que não condizem muito com esse tipo de estabelecimento. Eu nunca entendi, por exemplo, mercados que vendem televisão, pneu, computadores... “Querida, vai no mercado?” “Sim, amor!” “Tá bom, não esquece do arroz, do óleo e da TV de plasma 42 polegadas, ok?” “Pode deixar! Não quer que eu traga um laptop? Acho que o nosso está meio gasto, precisando trocar”. “Sim, traga sim! Se o dinheiro não der, deixe o arroz! Beijo!”.
O “passeio” começa com a escolha do carrinho. Dizem que não somos nós que escolhemos o carrinho; é o carrinho que escolhe a gente. Afinal, assim que olhamos pra pilha onde eles estão, sabemos exatamente qual iremos pegar. É como se ele estivesse nos chamando. Se alguma pessoa chega nele primeiro, a gente fica meio desnorteado. Por fim, conseguimos um, e quando estamos entrando no mercado o digníssimo começa a puxar pra direita. Olhamos pra roda e reparamos que ela está tortinha, tortinha, fazendo um barulho engraçado, como se estivesse rindo da gente. Nessa hora, o dilema: “Continuo com ele mesmo assim ou volto até lá e troco? Acabei de sair de lá, caramba! Agora que já escolhi e cheguei até aqui não vou voltar, não. Por que ele não mostrou que estava ruim assim que pegamos?”. Então, a roda começa a emperrar, e você nota que é inviável continuar com ele.
Entrando no mercado, com um carrinho em perfeitas condições, a primeira coisa que ouvimos é a voz do locutor pelos alto-falantes: “Alô, cliente amigo dos supermercados Promoshow, que bom ter você conosco! Aqui em frente aos frios, temos os biscoitos Mofadinho em promoção, venha aproveitar!”. Aliás, já reparou que as vozes destes locutores são sempre iguais? Devem ser todos irmãos, vindo de uma mesma mãe (ou de uma mesma fábrica). Gordos, magros, altos, baixos, não importa. Todos têm a mesmíssima voz grave e irritante.
Outra coisa irritante em supermercado são as “promoções-relâmpago”. Se você estiver perto de um produto que vai entrar numa promoção destas, corra. Corra como o vento. Logo, logo, neste lugar, será travado um duelo de proporções medievais, pode acreditar. É impressionante, mesmo que estejam vendendo “biscoitos Mofadinho sabor Jiló”, o som de tapas, socos e empurrões será ouvido durante alguns minutos rápidos e intensos. É como uma arena de gladiadores, só que ao invés de sair com a cabeça do adversário, as pessoas saem segurando um pacote de Mofadinho como um troféu, com arranhões no braço e os olhos lacrimejados de orgulho.
Alguns supermercados vendem produtos que não condizem muito com esse tipo de estabelecimento. Eu nunca entendi, por exemplo, mercados que vendem televisão, pneu, computadores... “Querida, vai no mercado?” “Sim, amor!” “Tá bom, não esquece do arroz, do óleo e da TV de plasma 42 polegadas, ok?” “Pode deixar! Não quer que eu traga um laptop? Acho que o nosso está meio gasto, precisando trocar”. “Sim, traga sim! Se o dinheiro não der, deixe o arroz! Beijo!”.
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